Você já ouviu falar em ADS-B ? A sigla significa Automatic dependent surveillance-broadcast e em termos leigos nada mais que é do que um sistema que informa em tempo real a posição de uma aeronave em voo, além de informações adicionais(rumo,razão de subida ou descida,identificação, etc), utilizando para isso a informação do GNSS embarcado na mesma, com isso, as outras aeronaves que estão próximas conseguem “saber” das condições de tráfego aéreo, quem está por perto e para onde está indo. O sistema também serve de input para bases de dados atualizadas em tempo real que podem ser consumidas com aplicativos específicos, como o Flight Radar, com tempo baixíssimo de latência.

sistema ADS-B

E o que isso tem a ver com os drones? Muito, se você é um piloto remoto, a informação sobre o tráfego aéreo local é de suma importância, você não vai querer dividir o espaço com um avião ou helicóptero, pois mesmo estando em alturas diferentes, você pode ter dores de cabeça se o piloto avistar seu RPA e notificar o órgão de controle, que por sua vez pode notificar autoridades locais. Infelizmente, o ads-b não está presente em todas as aeronaves, o custo para ter um receptor é muito baixo, no entanto, o custo dos transceivers homologados para aeronaves é salgado e não é obrigatório para aviões de pequeno porte e helicópteros, mas isso tende a mudar e cada vez mais as aeronaves estarão registradas no sistema. Em 1 de Janeiro de 2020 os operadores de aeronaves nos Estados Unidos estarão obrigados a ter o ADSB-out instalado para voar em determinados espaços aéreos, em vários outros países já existem calendários “limite” para instalação. Além do equipamento instalado nas aeronaves, o sistema também depende de bases terrestres para ser efetivo, pois essa informação deve seguir via broadcast para outros sistemas que possibilitam a propagação e o consumo da mesma.

Não há duvida de que a falta de percepção do benefício é uma das razões para a relutância dos operadores em adotar e instalar o adsb-out. O sistema exige precisão de posição e comunicação de dados como o Modo C ou S.

Pilots Guide to Avionics – Aircraft Electronic Association

No mundo dos drones, o ADS-B também tende a estar cada vez mais presente, seja para o consumo de informações e criação de no-fly zones dinâmicas ou até mesmo como ADSB-Out, enviando via broadcast informações sobre a localização do drone para os aeronavegantes e ATCs.

Os receptores e transceivers ADS-B para drones já são uma realidade há algum tempo, apesar de poucos pilotos e empresas terem interesse sobre os mesmos, o site Drone Analyst fez uma pesquisa sobre os principais motivos dos equipamentos não estarem sendo já utilizados, e os resultados são os seguintes:

  • Muito caro (80%)
  • Muito pesado (68%)
  • Muito grande (54%)
  • Consumo de Energia (51%)
  • Sem benefícios para operações na visada (36%)
  • Falta de integração com outros componentes do drone (35%)
  • Sinal não é forte o suficiente- limitação de alcance do broadcast (8%)

A nova série M200 da chinesa DJI é a primeira série de drones comerciais a vir com um receptor ADS-B, podendo dessa forma informar ao piloto sobre o tráfego aéreo local de aeronaves que tenham ADSB-out, a DJI chamou essa funcionalidade de DJI AirSense.

Drone M200 DJI Matrice
Drone M200 DJI Matrice

Uma solução comercial disponível de ADS-B no mercado é a linha Ping(nome sugestivo) da empresa uAvioni, que promete total integração dos RPAs ao espaço aéreo.

Linha Ping ADSB para drones
ADSB para drones
Integração drones espaço aéreo
Drones aparecendo em receptores adsb.

O modelo Ping 200S custa U$2,500.00, pesa 50 gramas e tem um transmissor de 250W e responde aos radares “perguntando” em modo C ou modo S.

ADS-B no Brasil

Em 23/11/2015, Daniel Marinho escreveu no site do DECEA:

Recentemente, o DECEA noticiou a conclusão da infraestrutura necessária para o início da operação do Sistema de Vigilância Aérea Automático Dependente por Radiodifusão (ADS-B Automatic Dependet Surveilance – Broadcast) na Bacia de Campos. A iminência do debut oficial do ADS-B no Brasil foi celebrada com entusiasmo pela comunidade aeronáutica. Afinal, o sistema propicia melhorias determinantes para a vigilância aérea ao permitir um maior número de amostras e mais parâmetros sobre as aeronaves do que é convencionalmente possível obter com o radar secundário. De menor custo de aquisição e manutenção, a ferramenta é também especialmente eficaz em áreas de terrenos montanhosos, onde a cobertura radar é limitada ou inexistente, já que alcança níveis de voos (altitudes) mais baixos, ao contrário dos radares.

Notícia na íntegra site DECEA

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